sexta-feira, 9 de agosto de 2013

[Análise] O cortiço (Aluísio de Azevedo)


Livro:
O Cortiço

Autor:
Aluísio de Azevedo

Sinopse:
Romance de Aluísio de Azevedo que conta diversas histórias paralelas relacionadas à um cortiço de propriedade do português João Romão, entre elas a da moradora Rita Baiana, que é uma mulher expansiva e liberada que se envolve com Jerônimo, jovem lusitano recém-chegado ao Brasil; a do dono do cortiço com a negra Bertoleza, e sua rivalidade com o rico vizinho Miranda; a de Pombinha, sua mãe D. Isabel e a prostituta Léonie, e outras mais que demonstram a natureza humana da visão Naturalista.

Minha opinião:
No século XIX, época em que a arte sofria grandes mudanças, tanto na Europa como no Brasil, a literatura deixou de ter as características conhecidas do Romantismo e ganhou traços mais realistas com o surgimento do Realismo e do Naturalismo, que no Brasil ficaram eternizadas na obra de Aluísio de Azevedo, em especial no livro O Cortiço, publicado originalmente em 1890.
Retratando a realidade do Rio de Janeiro no final do século XIX, O Cortiço não possui um único protagonista, já que todos os personagens têm sua devida importância e todos, sem exceção, estão ligados ao cortiço, que Taís Gasparetti, professora e responsável pela coordenação editorial do livro, diz ser mais forte do que todos os personagens. O cortiço em questão, propriedade do português João Romão, “assiste” as histórias de inúmeros personagens distintos, que enfrentam as dificuldades impostas por uma sociedade e sentidas na pele pela população da cidade, que ainda não tinha nada de maravilhosa.

“Não obstante, as casinhas do cortiço, à proporção que se atamancavam, enchiam-se logo, sem mesmo dar tempo a que as tintas secassem. Havia grande avidez em alugá-las; aquele era o melhor ponto do bairro para a gente do trabalho. Os empregados da pedreira preferiam todos morar lá, porque ficavam a dois passos da obrigação” (pág. 21).

Considerado um dos principais livros da literatura brasileira, O Cortiço mostra as características mais conhecidas do estilo de Aluísio Azevedo, que além de caracterizar seus personagens como ninguém, os criava para mostrar o homem como um animal racional, ainda que nem sempre isso de fato aconteça com seus personagens. Sendo assim, encontramos um retrato fiel da personalidade humana, que acaba sendo um dos pontos fortes da obra.

Com descrições em um tom lírico, o autor narra situações comuns na sociedade de Botafogo, bairro onde está localizado o cortiço de João Romão, como, por exemplo, o casamento forçado, as traições, os crimes e acordos, e até mesmo relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, o que faz de O Cortiço ser a primeira obra brasileira a retratar um relacionamento lésbico. Além disso, encontramos também a diferenças entre as classes sociais e da cultura de povos de diferentes origens, lembrando sempre que no século XIX colônias de vários países da Europa começaram a se instalar de forma definitiva em nossa terra.

E justamente por se tratar de uma obra do Realismo, que como citado tinha a intenção de narrar o que de fato acontecia na sociedade, podemos nos deparar com elementos sociais que, mesmo após mais de um século, continuam presentes na sociedade brasileira. O que não significa que a obra é apenas maravilhas, ainda que muitos digam isso.

Minha avaliação:

Nenhum comentário:

Postar um comentário