segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

[Análise] A esperança (Suzanne Collins)


Livro:
A esperança (Jogos vorazes, livro 3)

Autora:
Suzanne Collins

Sinopse:
Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?

Minha opinião:
Fechou a trilogia com chave de ouro.

Como posso começar? É simplesmente o melhor livro de distopia que já li em toda minha humilde existência. Ele engloba tudo o que espero de um livro: suspense, emoção, lições, romance não-meloso, uma imersão no universo dos personagens, risos, lágrimas, ousadia.

E Suzanne Collins nos dá tudo isso e muito mais em A Esperança, terceiro e último livro da trilogia distópica Jogos Vorazes. É um livro sobre destruição, pessoas e lugares destruídos, uma Katniss praticamente irreconhecível.

Depois de enfrentar e sobreviver a duas edições dos Jogos Vorazes, além de ser resgatada por um grupo de rebeldes direto para o distrito 13, e perder o distrito 12 e assistir a Peeta ser torturado pela Capital, Katniss não sabe mais quem ela é e em quem pode confiar.

Ela vaga pela narrativa às vezes como um zumbi que se esconde e tem medo do outros seres humanos. Às vezes se permite ter esperança, mas então outra rajada de destruição invade sua vida. Um único desejo: matar o presidente Snow. Fazê-lo pagar pela morte dos que ela amou, pela vida e pelo futuro que dela e de sua família foram roubados.

Não há mais o que fingir. A revolução está em curso. Os distritos lutam avidamente contra a Capital. O distrito 13, que por muito tempo foi tido como instinto, sobrevive no subterrâneo, formando rebeldes sob a liderança de Coin, a mulher que está dirigindo com punhos firmes a revolução.

Katniss não confia nela. Nem em Haymitch. Ela não confia nem mesmo em sua sombra. Peeta não está lá para acalmá-la quando os pesadelos vêm, não há beijos para confortá-la enquanto ela assiste às pessoas que tanto ama explodirem pelos ares, as pessoas de quem ela aprendeu a gostar e a respeitar. Gale tornou-se uma incerteza, às vezes o mesmo Gale que com ela passava horas caçando na floresta, um amigo antes de todas as complicações; às vezes ele é como um estranho que ela só quer que a ignore.

Aceitando finalmente ser o Tordo, o símbolo da revolução, para guiar a revolução contra a Capital, contra o presidente Snow, Katniss aos poucos vai juntando seus restos, o que resta dentro dela: a sede por vingança.

O interessante sobre o fim do último livro é que ele é, para a opinião de muitas pessoas, insatisfatório. Também tive esse ponto de vista, no começo. Eu esperava mais, coisas espetaculares, fantásticas. Mas, com o tempo e refletindo sobre a narrativa, eu percebi não há nada de fantástico nessa história, é a história de uma garota moldada pelas suas escolhas e o peso das circunstâncias no seu futuro.

Uma garota que foi destruída. Que tem a sorte de após a guerra, após ver sua própria irmã virar cinzas, ter alguém ainda, após todo o apocalipse de acontecimentos do livro. Peeta está lá, mesmo que "não inteiramente" (para não dar muitos spoilers), Haymitch também, cada um sobrevivendo, viver é quase um insulto.

Vemos que Katniss por fim fica com Peeta. Mas não é como se ela o tivesse escolhido no lugar de Gale. Gale meio que desistiu dela, e eu realmente fico achando que se fosse Gale quem tivesse voltado para ela, seria ele o escolhido. Acho que para Katniss não importava qual dos dois fosse, contanto que um deles estivesse lá por ela. E no fim, foi Peeta quem voltou e recebeu um espaço no mundo de Katniss Everdeen.

Há tantas coisas boas e maravilhosas sobre esse livro, e eu realmente gostaria de contar todas elas aqui. Mas a questão é que A Esperança, para mim, não tem como ser menos inesquecível. Eu não mudaria nada no rumo dos personagens, vivos ou mortos. Não é o que eu esperava, foi além das expectativas. Mudou de verdade a minha vida.

A Esperança é emocionante, uma trama eletrizante e cheia de armadilhas, prontas a destruir todas as suas convicções. Ele te destrói, expõe as feridas mais profundas dos seres humanos, extravasa as vontades ocultas e tantas vezes contraditórias daqueles em que ousamos acreditar, mexe com seu cérebro de uma forma que a sua única reação vai ser gritar de êxtase ou ficar paralisado por um tempo que parecerá infinito.

Pela escrita de Suzanne Collins, somos imergidos em um mundo onde a esperança é sempre maior que o medo, e ela é a fagulha para a verdadeira revolução. A que acontece dentro de nós.

Minha avaliação:

Um comentário:

  1. Além de ser muito boa, essa série trouxe na rabeira muitas outra s distopias e estou fascinado com esse gênero. E muito massa seu blog.
    O descobri pelo skoob. Se quiser visitar o meu, é dedicado a listas literárias:
    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2014/05/livros-em-lista-sete-mulheres-que-as.html

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